Será que o podcast brasileiro corre o risco de se tornar uma mídia “enlatada”
O que me fascina no podcast é esta liberdade de falarmos o que quisermos sem se ter que dar satisfação a algum editor ou diretor de programa conforme os profissionais de radios e tvs dão.
Quem captou a idéia do que é um podcast também irá concordar comigo.
Mas algo também está me chamando a atenção depois de ouvir vários podcasts “novos” por assim dizer. Muitos podcasters, alguns até de qualidade excelente e destaques a nível nacional correm o risco sem se aperceber de se tornarem uma “Globo” da vida.
Como assim? Tentarei explicar para não precisar desenhar.
Depois de alguns anos morando aqui nos EUA, deu para perceber como a mídia brasileira, principalmente a TV, precisa aprender ou melhor dizendo, precisa ser atualizada. Infelizmente os executivos de TVs são pessoas já idosas ou de familía na qual não tem a liberdade e a coragem de se modernizar. Não quero dizer aqui que eles precisam de equipamento novos e sim de uma nova filosofia de trabalho.
Os canais abertos dos EUA todos são concorrentes entre si. Cada ponto de audiência equivale milhões de dolares em lucros ou prejuizos. Não é atoa que a cada ano dezenas de séries estreiam e a maioria acabam cancelando antes de fechar uma temporada.
Agora o que é elogiável entre elas é que mesmo sendo concorrentes, existe um respeito mútuo, existe profissionalismo. Isto se dá em varios campos.
Quem assite aí no Brasil os talks shows daqui como o Jay Leno, David Letterman, Conan O Brian da vida, devem notar que sempre em suas entrevistas tem artistas de outras emissoras. E não é só isto. Além de entrevistarem estes artistas, ao final acabam fazendo um belo de um “jabá” do novo programa, do novo seriado que irá estreiar na emissora concorrente.
Chega ser bonito de assistir, chega ser elogiável a atitude desssas emissoras que mesmo sendo concorrentes, respeitam os profissionais, os trabalhos e realmente merecem o nosso respeito.
No Brasil nem precisa dizer que este respeito acontece. Todo mundo sabe que o cara que sair da Globo, vai para geladeira. Que Jô Soarez só entrevista globais, e atores que não tem nenhum vínculo com outras emissoras e Deus o livre se anunciar o programa que irá concorrer com a novela das oito, demissão na certa. Nem precisa dizer também que funcionário global não pode aparecer em outra emissora a não ser na entrega do trofeu Imprensa, se é que tem algum artista corajoso de não correr o risco de perder o emprego.
Me lembro alguns anos atrás e não sei ainda se isto acontece hoje, mas que a TV Globo ao transmitir a Fórmula Um não citava o nome da equipe Red Bull. Aí que entra a minha indignação. O motivo que ela alegava era que não queria fazer propaganda da marca de bebida de graça. Este pensamento é justamente de pessoas de mente fechada, pessoas que só querem saber do seu lucro ignorando e desrespeitando os telespectadores que querem apenas assistir o evento esportivo.
Muitos podem falar e até concordar com esta opinião da Globo que se não pagou, não aparece. Mas acabam esquecendo que mesmo que não falem e censurem o nome de alguma marca, dependem deles para que a sua transmissão seja um sucesso e com esta atitude de “mente” fechada, acabam comprometendo toda a transmissão do evento.
Sem dúvida, a TV brasileira mesmo entrando na era digital, está ná época ainda da TV preto e branco. Anos luz, atrás do profissionalismo da TV americana.
E o que isto tem que haver com o podcast?
Notei que varios podcasts estão seguindo o mesmo caminho da TV Globo. Muitos evitam falar de produtos, falar de lanchonetes, nome de shopping, universidade por exemplo, pois a lista é grande. O pior as vezes não é o fato de não falar e sim depois na edição colocar um BLEPP no nome do estabelecimento citado por algum participante.
A desculpa que muitos dizem é: Para que vou falar o nome de tal lanchonete se não estou recebendo por isso?
Isto me faz pensar que será que todos estão já “bitolados” com o padrão Globo de por na geladeira ou só querer ganhar vantagem? Ou será que é a própria cultura do Brasileiro.
Se não pagar, não aparece.
Muitos aqui devem escutar os podcasts do Adam Curry, Leo Laporte e muitos outros americanos.
O podcast do Adam me chama a atenção justamente pelo o verdadeiro conceito de podcast. Alguns podem reclamar agora que o podcast tem comerciais, mas os ouvintes antigos dele podem muito bem lembrar que o Adam fala o que quer, toca o que quer independente de receber por isso. Sempre fez comercial de graça de uma cafeteira expresso. Fazia isto não para tentar ganhar dinheiro do fabricante e sim porque gostava do produto e indicava a outros.
O Leo Laporte em seus podcasts fala abertamente de produtos, empresas, isto sem receber nada em troca. Pois tanto para o Adam, Leo e outros, o que importa é deixar o ouvinte informado. E também eles reconhecem que mesmo que seja um comentário de 5 segundo por exemplo, eles acabaram sendo beneficiado no conteúdo.
Em outras palavras, se eu contar a história que aconteceu certa vez numa lanchonete, só o fato de estar contando esta história, ele já está sendo beneficiado com o conteúdo desta história. Infelizmente muitos contam a história, dão risada, rendem uns 5 minutos de conteúdo e depois na edição censuram o nome da lanchonete.
O podcaster sem querer está desrespeitando o ouvinte que gostaria de receber um conteúdo completo, acaba levando vantagem também sem dar crédito ao objeto que gerou o conteúdo em questão.
Eu sei que muita gente critíca a TV Globo, SBT e Record da vida, mas analizem seus podcasts. Será que vocês sem querer estão fazendo o mesmo que a TV brasileira faz?
Chega de censurar ou não citar o nome de algum produto ou estabelecimento porque não recebeu nada em troca. Aproveite justamente desta liberdade que o podcast proporciona e comecem a respeitar qualquer empresa ou produto. Vamos citar, vamos falar, independente se irá receber ou não. Mostrem para seus ouvintes que você é a favor da liberdade. Que não importa se é Red Bull ou Coca Cola. Se você gosta se você toma, isto que importa, isto que cativa o ouvinte.
Eu tenho certeza que seus ouvintes terão aumentarão o respeito que tem por vocês assim como eu acabei respeitando a TV americana e o podcasters americano.
Em vez de falar mal dos gringos, vamos analizar o modo de pensar. Será que eu estou corrento o risco do meu podcaster virar um “enlatado”.
Espero que não.
Isto não é uma crítica e sim um alerta de alguém que vê a mídia brasileira com outros olhos. Afinal Alguém Precisa Falar.


